nov
10
2009

Conexões Digitais e o Profeta Gentileza

O melhor que a web e as redes sociais nos trazem é certamente o lugar da experimentação. Nunca antes tivemos que estar tão despidos de preconceitos e dispostos a encarar um fato consolidado: vivemos no risco em projetos com resultados muito variáveis e com boa margem de erro. O motivo é a dificuldade em lidar com a variável mais complicada da comunicação digital: o comportamento das pessoas em tempo real. E na busca de resultados o caminho é mesmo entrar na chuva, se molhar e aprender. Voltar para a chuva e descobrir que passou a ser a hora do sol e de novo aprender.

A maneira mais interessante de entender como evoluímos em torno do “e-behavior” é certamente ouvir experiências e cases alheios. Ampliar nossa experiência com os caminhos percorridos por outros com a certeza de que não há exatamente uma fórmula a ser aplicada e que, em palestras, nunca se diz o que deu errado em um case. Tudo parece ter sido sempre controlado e planejado ;-) Mas isso não tem grande importância. Basta um olhar crítico e boa vontade para ter aprendizados valiosos.
Nesse ponto a PRSA 2009 (#PRSA09) tem sido um bom fórum para discutir como envolver as pessoas em torno de um tema.

Como chamar a atenção delas dentro das redes sociais?
Um bom achado é entender que não se trata mais de vender – num primeiro momento - produtos ou dar um informação através do release. Isto foi para o final da cadeia. A palavra engajamento veio para o início do processo. Abaixo, cito alguns pontos importantes captados em alguns painéis sobre o tema. Vale a pena refletir sobre eles:

1- Crie causas. As pessoas não querem mais defender um produto simplesmente.

2- Essa causa precisa ter a ver com o que as pessoas acreditam do seu próprio estilo de vida e não com a idéia ou notícia que veio no seu release.

3- Conte histórias comuns. Como sua avó fazia (ou sua bisavó) e chegue ao coração das pessoas em um ambiente onde elas querem aproximações humanizadas.

4-Identifique aliados nas redes sociais. Mas não apenas para enviar conteúdos a eles e sim para ajudá-lo a disseminar uma idéia. Por isso escolha líderes inspiradores e não influenciadores.

5-Ouça. Mais do que nunca ouça. De Geno Church (@genochurch) a Brian Solis (@briansolis) todos pregam o “ouvir” sem medida como base para planejar. E ouvir não é coletar dados nos robots de busca. Antes: é ser um a mais no diálogo.

6-Planejamento continua sendo, evidentemente, palavra-chave. Saber operar redes sociais, abrir perfis e rodar robots para “ouvir” não o levará a lugar nenhum. Isso é tático e operacional. O planejamento está no conhecimento da sua causa, na definição dos seus objetivos de comunicação e negócios e, claro, no entendimento de que tipo de diálogo você deve manter com seu público.

7- Campanhas são como um plug ON/OFF. Aposte em “Movimentos” (ou seja, nas causas) que funcionam como um dial de volume. As primeiras falam de target e as segundas falam de inspiração. Red Pill ou Blue Pill?

8-Imagem e ética estão a cada dia mais colados. Não é possível fazer as pessoas acreditarem em você sem isto. Não levarão sua informação adiante sem esta associação.

9-Não se engane: estamos em um mundo de contadores de histórias mas também de tecnologia. Use-a com inteligência, criatividade e relevância.

10- Redes são ilhas e sites institucionais ambientes “mortos”. Crie hubs entre elas. Ou seja: comunidades (@briansolis)

Há muitos “insigths”que nos ajudam a entender o movimento nômade, às vezes errático e, quase sempre, autêntico e vigoroso do habitante das redes sociais. Poderia listar mais duzentos desses que ouvi aqui em San Diego. São verdadeiros “open minds”. Mas o crucial é você entender que, de verdade, tudo começa mesmo é com a quantidade de profissionalismo e inteligência com que você se dedica a fazer seus projetos em comunicação digital. Definitivamente não se trata de ter uma boa causa e as ferramentas e sim de criar uma bem planejada conexão entre sua informação e as pessoas que vão se interessar por ela. É quase o que o Profeta Gentileza pregava (e era chamado de louco por isso) pelas ruas do Rio de Janeiro: Gentileza gera Gentileza. Toque o coração das pessoas com uma causa, dê-lhes a plataforma tecnológica e elas tendem a retribuir sua gentileza. Ah, isto também é apenas só mais um “insight” meu ;-)

Risoletta Miranda, Diretora Executiva FSB PR Digital, na #PRSA09, em San Diego.

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