nov
11
2009

PR no seu ponto de inflexão 2.0

Ouça, planeje e engaje sua audiência em uma causa que lhe toque o coração. Use as melhores técnicas de PR que conhece desde sempre e não pense que o release morreu. Ele apenas precisa de uma nova roupagem. E quando pensar no Twitter, não se esqueça que talvez ele não esteja aqui vivo em 5 anos, mas os profissionais de comunicação estarão e teremos aprendido muito com essa nova forma de comunicação.

Isso não é um resumo da PRSA 2009. É a minha percepção sobre o que vi e ouvi em San Diego nestes 3 dias. Procurei o foco em como está sendo visto o mundo digital no contexto de PR e gostei do que ouvi. E mais ainda das posturas. Não houve na PRSA 2009 a tradicional arrogância que encontramos no meio publicitário quando o mudo digital chegou. Até há apreensão mas o meu ranking de palavras mais citadas e entreouvidas nos corredores indicam uma certa humildade. Foram muitos slides e “tweets”com listen, community, engagement,Twitter, social media, ethics, transparency, conversation. Não são bons indicativos? Considero que sim.

Como em todo evento deste tipo, os profissionais de PR estão se colocando no divã sem preconceitos. Como já o fazem e/ou fizeram todos os profissionais de comunicação impactados pelas transformações no ciclo da informação trazido pela internet. É a partir desse movimento que uma indústria deve se alimentar da inovação que chega em ciclos como o que estamos vivendo.

E é claro que as Mídias Sociais continuam sendo o grande provocador recente dessas inovações. Ouvi em San Diego declarações da obsolescência do release e sugestões de como mantê-lo uma ferramenta de PR útil, através de um formato multimídia e otimizado para buscadores. Não faltaram as famosas 10 dicas para engajar lideranças das Redes Sociais com suas idéias. Foram muitos cases criativos sobre a tradução do PR para o PR 2.0. Em todas as direções, no entanto, a PRSA 2009 deixa uma forte “convocação” (às vezes implícita, outras explícita) aos profissionais para que se permitam experimentar, estudem as novas mídias, sejam criativos e, antes de tudo, não deixem de entender que, sendo digital ou não, o fato é que ética e transparência não são mutáveis. Boa notícia certo?

Óbvio que há um nova maneira de trocar informação, o mailing não é mais de jornalistas off line e os blogueiros querem receber um Kit de Mídia absolutamente diferenciado e se recusam e requentar o que se publica na mídia tradicional. É urgente que se entenda como lidar com a colaboração do “antigo” destinatário - que virou “jornalista cidadão” - na composição da notícia e na sua disseminação. Todos esses temas foram bem debatidos e, ao final de tudo, apontam mesmo para a necessidade de integrar as velhas e boas práticas do “face-to-face” (a CRT/Tanaka mostrou que a geração mais conectada do planeta, os Millenials, ainda prefere isto!) com a mais tradicional e eficiente forma de humanizar uma idéia: contando histórias bacanas que encontrem eco no coração alheio. E este coração alheio, cheio de seguidores no Twitter, vai fazer a diferença no ciclo de vida dessas histórias.

Pessoas há algum tempo (antes mesmo da internet) não compram mais produtos. Elas apostam em relacionamentos verdadeiros e transparentes. Todos os biscoitos são crocantes. Todos os refrigerantes são refrescantes. Se isto é verdade – e é – então não há mesmo lugar para uma idéia ser disseminada apenas em um release tradicional. Se mais de 90% dos jornalistas constroem hoje suas matérias “pilotando” um sistema busca, o release realmente tem que achar sua nova roupagem. E quem elabora o release mais ainda! Se nos EUA (e podemos projetar isso para o Brasil), em setembro recente, 168 milhões de pessoas clicaram em um vídeo no You Tube, o que um profissional de PR está fazendo que ainda não incluiu isto na dinâmica da sua agenda de conhecimento?

Como para jornalistas e publicitários, o universo do profissional de PR está sendo sim sacudido pelo ambiente digital e suas conexões sociais. Como disse Arianna Huffington, na abertura, é hora de sair do sofá: “So much has changed, and we are at a turning point”. É a hora de ver como as empresas de comunicação adicionam ao excelente menu que já oferecem ao seu cliente este novo item de cardápio. Imagem e reputação são temas sempre delicados. E eles agora navegam ao sabor de movimentos e comunidades que podem alavancá-los ou erodi-los em questão de horas. Estar preparado para isso não é trivial. Vem lá de trás, do background estabelecido na sua carreira profissional. Grandes empresas de comunicação possuem grandes times de talentos. E esses talentos hoje necessariamente devem estar conectados. A essência não mudou e nunca vai mudar. Como em todo lugar, apócrifos e anônimos serão sempre desmascarados. Como sempre houve na história da comunicação, a lisura e o profissionalismo terão o seu espaço diferenciado. Acrescente-se a isso doses industriais de diálogo, bom ouvido, bons softwares de busca nas redes sociais e há um caminho desafiador e instigante. E dele não há mais como fugir!

Este é um resumo bem pessoal da PRSA 2009. Volto em outro com os principais highlights do que foi dito, nomeando respectivas fontes. Mas o melhor para sentir mesmo a temperatura dos debates é buscar no Twitter a hashtag #PRSA09. Tá tudo lá! Por isso preferi interpretar mais do que reportar.

Risoletta Miranda, Diretora Executiva, FSB PR Digital, San Diego.

P S: Uma das palestras em destaque na PRSA 2009 foi a de Todd Buchholz, ex diretor de política econômica da Casa Branca. Interessante ouvi-lo sobre as questões da crise americana. O que aconteceu, porque aconteceu e como sair dela. Fiz um bom paralelo porque há 3 semanas estive no Forum Alumni Coppead ouvindo Mário Torós, diretor do COPOM, do nosso Banco Central, fazendo a mesmíssima palestra. Claro, mostrando as questões brasileiras. E fiquei impressionada em como, realmente, o Brasil se saiu bem dessa e aponta para um caminho construído com inteligência de mercado. E Torós fez uma palestra no mesmo nível de Todd.

Compartilhe:

» Comentários


Deixe seu comentário