A BP (British Petroleum) está vivendo dias terríveis com o acidente no Golfo do México. O óleo se alastra pelo mar e sabemos o quanto isso transforma negativamente o meio-ambiente e coloca em discussão os debates sobre as empresas que trabalha com a exploração de produtos que impactam nosso “habitat”. As empresas de petróleo trabalham o tempo inteiro no fio da lâmina. E, por mais que tenham medidas prontas para agir, sempre há o acidente, o imponderável e aí é hora de atuar diretamente na solução do problema, claro. E, na outra ponta, tem a situação da reputação da marca que fica seriamente atingida.
Não sabemos ainda qual a extensão desse problema para a BP. Mas sabemos que é tão corrosiva quanto o estrago ambiental provocado pelo vazamento. Sem entrar no mérito ambiental - que é desastroso -, escrevo este post para dar foco e analisar rapidamente o que se consegue ver daa estratégia de crise adotada pela empresa com o uso de meios digitais (apenas neste foco). Como profissionais sabemos que a empresa precisa ter um direcionamento claro, responsável e, especialmente, ágil. E, nesse ponto, o ambiente digital fica crucial.
Em uma rápida análise o que vemos é que a BP criou um “meio” “dark site” (ou site de crise) que é acessado logo que você entra no endereço www da empresa (www.bp.com) . Está tudo lá, sem receio de tocar no tema: notícias, fotos, vídeos, clipping e contatos de toda a natureza que podem ajudar a esclarecer sobre o tema. É um material que não deixa dúvidas sobre o posicionamento da empresa e sua disposição em esclarecer tudo da forma o mais transparente possível. Em destaques, as entrevistas na imprensa com o principal porta-voz, o CEO da empresa. No entanto - daí porque chamei de “meio dark site” - avalio que a empresa comete um erro de forma. Não vejo motivo para o “site de crise” manter os links para o site institucional. Isso inclui o rodapé com o logotipo de apoiador oficial dos Jogos Paraolímpicos. A mistura da crise com os temas instituicionais não é uma boa idéia. No meu ponto de vista a empresa deveria apenas ter um link para o site institucional e não deixar os links “abertos”.
Ainda dentro do site, na área de imprensa, o assunto também está exaustivamente documentado e, provavelmente como estratégia adicional, ali somos informados sobre a existência do que eles chamam de “Joint Information Centre website”, o Deepwater Horizon Response. Aqui há uso de redes sociais. O site é bom e completo de informações também. Vale ser analisado no contexto da crise: http://www.deepwaterhorizonresponse.com
O uso das redes está interessante também:
http://www.youtube.com/deepwaterhorizonjic
http://twitter.com/Oil_Spill_2010
http://www.facebook.com/DeepwaterHorizonResponse
http://www.flickr.com/photos/uscgd8/
O prejuízo de imagem gera débito enormes para a empresa (de todos os tipos). Mas, certamente, a construção de posicionamentos hoje deve considerar o uso de redes sociais e seu impacto junto aos stakeholders. Pode ser pouco para o problema que a BP enfrenta hoje, mas, do ponto de vista da comunicação digital, pelo menos, eles fizeram o dever de casa até agora com razoável competência.