fev
11
2010

Que tititi é esse que vem da Sapucaí?

A maior festa popular do Rio de Janeiro, e talvez do Brasil, será, pela primeira vez na história, digital. Quem for assistir aos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí terá internet sem fio de graça. A atração maior da avenida nos dias de folia são os desfiles, claro, as escolas de samba, que envolvem milhares de pessoas durante um ano inteiro em torno de uma paixão. Mas o Sapucaí Digital tem seu charme também. Isso porque quem tiver um dispositivo wi-fi poderá, de onde estiver no Sambódromo, se conectar à internet e mandar emails, imagens, vídeos, em tempo real, para qualquer lugar do planeta.

Como trabalho na assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, responsável pelo projeto, estava na Sapucaí no dia que o sinal foi oficialmente ligado. De lá mesmo eu tuitei, do notebook e do celular, não para testar, mas para usar mesmo a ferramenta. Brinquei que, agora, um turista da Lapônia poderia enviar a foto do carro alegórico para seus parentes e amigos na hora do desfile. Um repórter do Globo colocou no seu Twitter (@claudiomotta) um vídeo feito pelo celular usando a internet do Sambódromo. E é essa a verdadeira dimensão do projeto: vai ser uma grande mídia espontânea para o carnaval carioca, já que milhares de pessoas vão ajudar a levar a festa para lugares espalhados por todo o mundo.

Tecnicamente, são oito antenas espalhadas pela Sapucaí, oferecendo uma velocidade de rede de 30Mbps, sendo que a velocidade de navegação dos usuários depende da quantidade de pessoas conectadas no momento. São suportados até dois mil acessos simultâneos. A coordenação técnica do Sapucaí Digital é do Laboratório de Processamento de Sinais, Aplicações Inteligentes e Comunicações (Prosaico), da Uerj. A empresa contratada pela universidade para executar o serviço foi a Printscom.

Qualquer celular com acesso wi-fi à internet pega o sinal, assim como notebook, netbooks e outros dispositivos. Daí que as tradicionais fotos de celular poderão ser replicadas para inúmeros destinatários; o folião que quiser dar nota “10” para sua escola nas enquetes de sites e da TV poderá fazê-lo das arquibancadas, dos camarotes e das frisas do Sambódromo; o site para saber das notícias e dos bastidores da festa poderá ser acessado. Tudo enquanto as escolas desfilam.

O Sapucaí Digital não acontece de forma isolada. Ele faz parte do Rio Estado Digital, projeto da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia que oferece internet gratuita e sem fio para pouco mais de três milhões de pessoas. O próprio sinal no sambódromo faz parte de um plano maior, que vai iluminar digitalmente a Avenida Presidente Vargas e a zona portuária do Rio.

O Rio Estado Digital começou nas orlas de Copacabana e do Leme, áreas turísticas. Aos poucos, foi se espalhando e hoje já está nas praias de Ipanema e Leblon, na Cidade de Deus, no Santa Marta, em toda a extensão da Avenida Brasil e em seis municípios da Baixada Fluminense – Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis e Nova Iguaçu. Os próximos locais que receberão o projeto são as comunidades do Pavão-Pavãozinho/Cantagalo e da Rocinha. A previsão é que até maio, com a implantação do projeto no restante da Baixada, cerca de 4,5 milhões de pessoas estejam cobertas pelo programa.

O principal objetivo do programa é que pessoas de baixa renda, que não podem pagar pela internet, possam descobrir o mundo que as espera do outro lado da tela do computador, tenham acesso a mais e mais informação e conhecimento, possam querer realizar mais e mais descobertas, vejam, e usem, as mais variadas ferramentas disponíveis de integração às – e nas – redes sociais. O Rio Estado Digital é um trabalho de inclusão social do Governo do Rio, que abre inúmeras possibilidades de utilização da internet pela população.

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