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A comunicação alavanca o compliance

Por Renato Cirne
É praticamente um pré-requisito: toda regra para ser cumprida precisa ser conhecida. A disseminação constante dos princípios de compliance de uma empresa, para todos os seus públicos de interesse, permite alinhamento dentro e fora da companhia. Pesquisas e até mesmo a comparação do valor de mercado de empresas listadas em bolsa comprovam que a comunicação alavanca, e muito, os resultados dos programas de compliance.

Acabo de voltar de rápido circuito de encontros nos Estados Unidos onde defendi esse compromisso. Assisti a palestras de especialistas americanos e dividi o palco com Luke Brussel, ex-chefe do comitê de compliance da GE Capital, e com Felipe Santa Cruz, presidente da OAB-RJ. Com Santa Cruz, na New York City Bar (a OAB deles) analisei a ‘Agenda de reformas no Brasil: perspectivas para a profissão legal’. Já na Fordham University, em Nova York, participei da mesa redonda ‘Estados Unidos e Brasil – Uma discussão sobre compliance’. Nessa última, defendi que questões legais, transparência e comunicação precisam andar de mãos dadas.

A própria definição de crise – manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio, segundo o Aurélio – realça o caráter de imprevisibilidade. Mas mostrei levantamento que diz que apenas 14% de esses eventos são repentinos, fruto de acidentes ou desastres. A imensa maioria – ou 86% – é resultado de questões intrínsecas às empresas. Ou seja, podem e devem ser mitigados por programa de compliance que mapeie riscos e estabeleça comportamentos seguros. Impulsionados por estratégia de comunicação coerente e constante, protegem a reputação da empresa.

Não é à toa, que a unidade de inteligência da The Economist afirma: companhias que reagem rapidamente, com estratégia e comunicação, saem das crises com suas reputações intactas e, às vezes, até reforçada.

A análise do valor das ações de algumas companhias atingidas pela Operação Lava Jato comprova isso. As que reagiram com transparência, que documentaram e comunicaram seus esforços para todos os públicos interessados tiveram mais facilidade de retomar suas atividades.

Os americanos concordaram. E estão atentos ao que se desenrola aqui.

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