No Brasil, o Rio de Janeiro se prepara para sediar dois dos mais importantes eventos de sua história: os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo de Futebol em 2014. E o Estado amplia e adota iniciativas públicas inéditas, como a política de pacificação das favelas. Desde 2008, o projeto consiste em entrar nos morros, ocupar territórios e levar aos cidadãos políticas sociais para áreas dominadas há décadas por traficantes. Em novembro de 2010, aconteceria um teste decisivo para o Rio: bandidos reagiram atacando a população, incendiando carros por toda a capital.
O desafio era buscar o apoio da população conectada e mostrar que os problemas da cidade são uma causa de todos e não apenas do Estado ou da Polícia. Com mais de 5 milhões de cidadãos usando internet e redes sociais no Rio, um dos focos de convencimento eram esses formadores de opinião. E eles reagiram assustados e criticando duramente o Governo e a política. Nas redes, o sentimento que prevalecia era individual: moradores preocupados com sua segurança pessoal e grande volume de boatos. Como então transformar pânico, preocupação e medo individuais em uma causa coletiva? Como unir positivamente a população em torno de sua paixão pela cidade?
A estratégia nas redes sociais foi aproximar a ação e os policiais dos cidadãos conectados, humanizando a atuação do Estado. Para isso era necessário dar “rostos” para a operação, com uso de porta-vozes exclusivos para a web. Também informar com transparência todos os detalhes possíveis da operação, usando os canais oficiais do Governo nas redes sociais e evitar a disseminação de boatos. Ao mesmo tempo, incentivar o orgulho de morar no Rio. A estratégia previa também identificar e apoiar as mais destacadas ações colaborativas criadas pelos próprios internautas, ampliar os porta-vozes positivos e, dessa maneira, tornar o “Governo do Rio” mais um na campanha pela paz na cidade, sem protagonismo oficial. A rede central da parte tática foi o Twitter. Além de concentrar informações em tempo real, o microblog possui grande repercussão na mídia offline brasileira e gerou pautas e notícias. É também onde estão as celebridades que influenciam a população. Mas todos as redes sociais foram usadas na campanha. Durante os 5 dias mais críticos da operação, um porta-voz oficial da Secretaria de Segurança ficou responsável por responder dúvidas e fazer balanços da operação para os internautas, na Twitcam. Entrevistas com líderes policiais que estavam no front do “Alemão”foram postadas nas redes, incluindo o Orkut, rede mais usada no Brasil. No You Tube, soldados agradeciam o apoio que chegava pela web. E, buscando engajamento, criou-se uma campanha espontânea para o uso da hashtag #paznorio e adesão a um Twibonn oficial do @govrj. A #paznorio alcançou os Trending Topics da rede por 4 dias seguidos e foi a âncora de milhões de mensagens com apoio aos policiais e à ação do Governo.
Sempre muito criticada no país, a polícia, pela primeira vez recebeu grande apoio da população , assim como o Governo, na luta contra o tráfico. Em dados: