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O desafio de informar num universo saturado de informação, por Gustavo Krieger, diretor-executivo da FSB Comunicações

18/08/10 11:41

“Quem lê tanta notícia?”
Caetano Veloso, bem antes do Twitter

Por Gustavo Krieger, diretor-executivo da FSB-DF, com colaboração inestimável de Cynthia Garda

Sou um animal tecnológico, do tipo que adora novidades. Ando por aí carregando dois smartphones e um desses novos tablets. Também sou um viciado em informação. Mal acordo, vou ler uma lista de jornais. Acesso blogs e sites o dia inteiro e, no rádio do carro, fico ouvindo notícias. Além disso, a informação tem sido meu meio de vida pelos últimos 25 anos. Pela lógica, deveria estar plenamente realizado em um mundo onde se produz e distribui cada vez mais conteúdo e essa massa de dados está disponível literalmente o tempo todo, ao alcance da mão. Mas, confesso, tenho certa dificuldade em administrar tanta oferta. Muitas vezes me sinto como se estivesse numa sala cheia de gente, onde todos falam ao mesmo tempo e ninguém está muito interessado em ouvir o que os outros estão dizendo. É como se o discurso se bastasse e substituísse o diálogo.

Um pouco antes de escrever este artigo (o que fiz no finalzinho de julho), estava numa sala de espera, aguardando o início de uma reunião. Abri o Twitter no iPad e foi uma avalanche de mensagens. Boa parte vinda de políticos e jornalistas, a quem acompanho por uma mistura de interesse profissional e pessoal. Outra, de amigos. Foi uma algaravia (palavra de origem árabe, que significa confusão de vozes. Um termo antigo, mas que me pareceu ironicamente atual). Dilma Rousseff, para ilustrar seu lado sensível, elogiava a letra de Construção, do Chico. José Serra, que também quer mostrar seu perfil popular, elogiava primeira convocação de Mano Menezes para a seleção brasileira. O ex-deputado Roberto Jefferson soltava palavrões contra adversários. Dezenas de candidatos falavam com os eleitores enquanto jornalistas faziam análises ou revelavam bastidores da campanha. No meio disso tudo, uma amiga reclamava que estava tendo um “bad hair day”. Como garimpar as informações relevantes para mim? 140 caracteres não parecem muita coisa, mas isso muda se você tem 200 mensagens na tela do computador…

Para mim, um dos reflexos mais importantes que a era da tecnologia da informação terá sobre o mundo é a democratização na produção de conteúdo. Qualquer pessoa, empresa ou instituição pode criar seu blog ou montar uma tribuna no Twitter, Facebook ou qualquer outra rede social. O direito de falar está garantido. Se você vai ser ouvido, é uma questão bem diferente.

Esse é, provavelmente, o desafio mais difícil a ser enfrentado nos próximos anos por quem está no negócio de comunicação. Se todos podem falar, como fazer com que a nossa mensagem seja ouvida?

Para nós, que fazemos assessoria de imagem, são oportunidades e riscos completamente novos. De um lado, se abriram muitas portas.Vão longe os tempos em que o único caminho era emplacar a notícia num jornalão. Os veículos de comunicação se multiplicaram e ganharam novas formas e jeitos. Blogs como os dos jornalistas Ricardo Noblat, Josias de Souza, Fernando Rodrigues e tantos outros podem causar mais barulho em Brasília que uma manchete de jornal.

Mas fazer-se ouvir no barulho da internet é apenas uma parte. A equação, para nós, se transformou completamente. São cada vez mais numerosas as portas por onde pode surgir uma crise de imagem. Aos meios tradicionais da mídia se somam as vozes da internet e em especial das redes sociais. Conseguir ouvir em meio ao barulho e velocidade da informação online se tornou um primeiro passo obrigatório e para o qual não se aplicam os métodos tradicionais. O clipping envelheceu. Hoje, precisa ser conjugado com ferramentas de monitoramento e intervenção nas novas mídias. A notícia tornou-se menos previsível. A crise pode estar escondida no meio daquele turbilhão de mensagens do Twitter. Identificá-la, e rápido, é nosso primeiro desafio.

Conversas sobre um candidato na casa, no bar, no telefone, que antes eram privadas, agora acontecem também publicamente, com um enorme potencial de alcance, registradas e buscáveis na rede para sempre. Em termos de assessoria de imagem, esse é provavelmente o desafio mais espetacular em décadas.

A FSB Digital, utiliza ferramentas próprias desenvolvidas para monitorar esse universo de conversas públicas, diagnosticar o que elas representam em conjunto, identificar as vozes prioritárias, antecipar temas e intervir estrategicamente nessa multiplicidade de conversas. Isso porque, além de nos abrir novas possibilidades de ouvir, a internet cria uma demanda extremamente forte: responder diretamente e, com isso, se relacionar. Cada resposta abre um relacionamento direto, e você precisa de soluções para administrá-los todos, simultaneamente, e em muitos casos para sempre. Ao invés de cultivar relacionamentos com alguns profissionais ou meios, você agora precisa fazê-lo com uma rede muito ampla e volátil de influenciadores, com uma velocidade de resposta sem precedentes: responder 24 horas depois, na internet, equivale a uma semana de silêncio.

E, por último, um desafio de forma nenhuma menos importante: saber com clareza quando e onde falar, e quando calar-se na internet. As ferramentas de mídias sociais tornam extremamente simples se intrometer na conversa errada, ser invasivo ou inoportuno. Os resultados para a imagem podem ser, obviamente, catastróficos. E não serão esquecidos como apenas uma conversa ruim ou uma gafe que circula em anedotas até eventualmente desaparecer. Ficarão registrados e pesquisáveis para sempre, podendo se multiplicar num boca-a-boca que flerta com o infinito e pode ser ressuscitado a qualquer momento.

Novos tempos, novos desafios, mas a mesma resposta. Vamos precisar de competência, capacidade de trabalho e, acima de tudo, muita fonte de informação. Vamos ter de estar ligados a tudo que acontece nesse mundo multimídia e criar novos meios de agir e reagir. Vai ficar mais complicado. Mas também ficará mais interessante.

Gustavo Krieger é diretor-executivo do Escritório da FSB em Brasília
Cynthia Garda é coordenadora da FSB PR Digital em Brasília

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