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Eleições 2018: O Poder das Alianças

A campanha presidencial de 2018, iniciada oficialmente no dia 16 de agosto, não é apenas a mais disputada e imprevisível dos últimos anos, remetendo, no imaginário de muitos, à histórica primeira eleição direta após a redemocratização, em 1989.

É também a campanha que pode, apesar da crise política e econômica vivida pelo Brasil nos últimos quatro anos, confirmar se as premissas anteriores ainda são válidas ou se novos tempos na disputa eleitoral estão por vir.

Até 2014, duas certezas eram inexoráveis: a propaganda eleitoral e os palanques estaduais eram garantias de êxito nas urnas.

Quanto mais tempo de propaganda, no rádio e na televisão, os candidatos tivessem para expor as propostas de governo, maior a capacidade de convencimento do eleitorado e, por consequência, mais votos recebidos nas urnas em outubro.

A outra verdade quase incontestável era de que, quanto mais capilarizada a campanha fosse, com palanques estaduais e alianças múltiplas capazes de espalhar o discurso político dos candidatos nos diversos estados, maiores as chances de vitória.

As campanhas deste ano trazem algumas peculiaridades. Além de mais curta, o que diminui o tempo útil para os candidatos apresentarem suas ideias, as formas de financiamento das mesmas são distintas, após a proibição de doações por empresas.

Os financiamentos ficaram restritos aos fundos partidário e eleitoral, além das doações de pessoas físicas, prática ainda pouco comum por aqui. Com menos tempo e menos recursos, a tendência é que não se repitam as superproduções nas propagandas políticas, tornando as peças eleitorais mais diretas o que poderá, em tese, diminuir a atenção do eleitorado.

A questão dos palanques estaduais também é uma incógnita. Em muitos estados, os candidatos aos governos locais, abertamente, divergem das alianças nacionais. Além disso, o MDB, legenda que conta com o maior número de prefeituras, também optou por lançar candidatura própria, o que acabou isolando-o no tabuleiro político.

O primeiro turno das eleições presidenciais está marcado para o dia 7 de outubro. Apenas lá será possível descobrir se a eleição de 2018 será diferente de tudo o que se viu até aqui ou se, apesar das diferenças no caminho, apresentará o mesmo perfil de resultados das disputas anteriores.

UNIÃO NA PROPAGANDA E NOS PALANQUES

Com o maior arco de alianças partidárias, o candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, é o que tem, consequentemente, mais tempo de propaganda política eleitoral.

Em segundo lugar, aparece o PT, que se apoia, basicamente, no fato de contar com uma bancada numerosa eleita em 2014.

Curiosamente, o cenário atual é o inverso de 2014, quando a então candidata do PT, Dilma Roussef, tinha o dobro do tempo do candidato do PSDB, Aécio Neves. Ambos foram para o segundo turno e, no fim, Dilma foi eleita com pouco mais de três pontos percentuais.

Líder nas pesquisas quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é mencionado, Jair Bolsonaro (PSL) terá apenas 8 segundos de tempo de propaganda eleitoral. Bem menos do que os 30 segundos do folclórico Eneas (Prona), que cunhou um dos mais famosos bordões do cenário político nacional recente.

Por isso, Bolsonaro aposta na força das redes sociais, onde tem uma militância ativa e disseminada.

Não à toa o deputado do PSL tem aparecido em primeiro lugar no ranking FSBInfluencia Congresso.

TEMPO DE TV DOS PRESIDENCIÁVEIS

Geraldo Alckmin (PSDB): 5 minutos e 32 segundos* + 434 inserções**
Lula (PT): 2 minutos e 23 segundos + 189 inserções
Henrique Meirelles (MDB): 1 minuto e 55 segundos + 151 inserções
Alvaro Dias (Pode): 40s + 53 inserções
Ciro Gomes (PDT): 38s + 51 inserções
Marina Silva (Rede): 21s + 29 inserções
Guilherme Boulos (PSol): 13s + 17 inserções
José Maria Eymael (DC): 8s + 12 inserções
Jair Bolsonaro (PSL): 8s + 11 inserções
Cabo Daciolo (Patri): 8s + 11 inserções
João Amoêdo (Novo): 5s + 8 inserções
Vera Lúcia (PSTU): 5s + 7 inserções

*Por bloco. São dois blocos de propagandas às terças, quintas e sábados
** As inserções têm 30 segundos e o número corresponde ao período de 31 de agosto até 04 de outubro.

A FORÇA DA MÁQUINA

Não é só o tempo de propaganda eleitoral que pode definir uma eleição. A capilaridade das campanhas também é um fator fundamental.

Ter, na maior parte das cidades, alguém para ajuda a divulgar o nome, distribuir o santinho ou influenciar o líder comunitário é importantíssimo para disseminar a figura do candidato.

Por isso, mais uma vez, a tese estabelecida é de que Geraldo Alckmin leva vantagem sobre os oponentes, uma vez que sua coligação engloba o maior número de governadores, prefeitos, deputados federais e senadores.

QUADRO DAS ALIANÇAS

PSDB – PP –PR – DEM – PRB – SD – PSD – PTB – PPS
GOVERNADORES PREFEITOS
8 (29%) 2.990 (53%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
268 (52%) 32 (39%)
MDB – PHS
GOVERNADORES PREFEITOS
6 (22%) 1.094 (20%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
53 (10%) 18 (22%)
PT – PcdoB
GOVERNADORES PREFEITOS
6 (22%) 389 (7%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
82 (15%) 12 (15%)
PDT – Avante
GOVERNADORES PREFEITOS
2 (7%) 347 (6%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
24 (5%) 3 (4%)
Podemos – PSC – PRP – PTC
GOVERNADORES PREFEITOS
133 (2%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
25 (5%) 6 (7%)
Rede – PV
GOVERNADORES PREFEITOS
107 (2%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
6 (1%) 2 (2%)
PSL – PRTB
GOVERNADORES PREFEITOS
30 (0,5%)
DEPUTADOS FEDERAIS SENADORES
8 (1%)

Fonte: TSE

REALIDADES REGIONAIS

A realidade nem sempre reflete as projeções. No caso da política, essa distância pode ser ainda mais amplificada.

O MDB, por exemplo, que depois de muitos anos optou por lançar um candidato próprio ao Planalto, vê uma secessão na ala nordestina da legenda. Lá, os emedebistas preferem apoiar o PT, ansiosos por herdar o alto índice de votos de Lula na região.

Lula também serve como amálgama para outros partidos no Nordeste, como o PSB – que optou por não fechar coligação formal com ninguém – outras legendas que declaram, nacionalmente, apoio a Geraldo Alckmin, como o PR, o PP e o PTB, por exemplo.

A manter o mapa eleitoral das disputas anteriores, o PT é forte na região Nordeste, onde tem, em 6 dos 9 estados, aliados em posição de conforto nas disputas para governador. O PSDB tende a ser forte no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Jair Bolsonaro, contudo, com seu forte discurso de segurança pública, aparece liderando em estados importantes, como o São Paulo, Distrito Federal e alguns estados da região Sul, o que pode desequilibrar a lógica passada na hora da contabilidade dos votos.

LISTA DE CANDIDATOS A GOVERNADOR POR PARTIDOS

LISTA DE POSSÍVEIS PALANQUES ESTADUAIS DOS PRESIDENCIÁVEIS*

esse número leva em conta os partidos que formam a coligação nacional e eventuais apoios regionais.

CANDIDATOS A GOVERNADOR

REGIÃO NORTE

ACRE
David Hall (Avante)
Gladson Cameli (PP)
Janaína Furtado (Rede)
Marcus Alexandre (PT)
Ulysses Araújo (PSL)
AMAPÁ
Antônio Cirilo Fernandes (PSL)
Davi Alcolumbre (DEM)
Gianfranco Gusmão (PSTU)
João Alberto Capiberibe (PSB)
Waldez Góes (PDT)
AMAZONAS
Amazonino Mendes (PDT)
Berg da UGT (PSOL)
David Almeida (PSB)
Lucia Anthony (PCdoB)
Omar Aziz (PSD)
Sidney Cabral (PSTU)
Wilson Lima (PSC)
PARÁ
Cléber Rebelo (PSTU)
Fernando Carneiro (PSOL)
Helder Barbalho (MDB)
Paulo Rocha (PT)
Márcio Miranda (DEM)
RONDÔNIA
Acir Gurgacz (PDT)
Charlon da Rocha (PRTB)
Expedito Júnior (PSDB)
Marcos Rocha (PSL)
Pedro Nazareno (PSTU)
Pimenta de Rondônia (PSOL)
Valclei Queiroz (PMB)
Vinícius Miguel Raduan (REDE)
RORAIMA
Antônio Denarium (PSL)
Fábio Almeida (PSOL)
José de Anchieta Júnior (PSDB)
Suely Campos (PP)
Telmário Mota (PTB)
TOCANTINS
Bernadete Aparecida (PSOL)
Carlos Amastha (PSB)
César Simoni (PSL)
Mauro Carlesse (PHS)
Marlon Reis (REDE)

REGIÃO NORDESTE

ALAGOAS
Basile Christopoulos (PSOL)
Fernando Collor (PTC)
Josan Leite (PSL)
Renan Filho (MDB)
BAHIA
Célia Sacramento (Rede)
João Henrique (PRTB)
João Santana (MDB)
José Ronaldo (DEM)
Marcos Mendes (PSOL)
Orlando Andrade (PCO)
Rui Costa (PT)
CEARÁ
Aílton Lopes (PSOL)
Camilo Santana (PT)
Francisco Gonzaga (PSTU)
General Theophilo (PSDB)
Hélio Góis (PSL)
MARANHÃO
Flávio Dino (PCdoB)
Maura Jorge (PSL)
Odívio Neto (PSOL)
Ramon Zapata (PSTU)
Roberto Rocha (PSDB)
Roseana Sarney (MDB)
PARAÍBA
João Azevêdo (PSB)
José Maranhão (MDB)
Lucélio Cartaxo (PV)
Rama Dantas (PSTU)
Tárcio Teixeira (PSOL)
PERNAMBUCO
Armando Monteiro (PTB)
Dani Portella (PSol)
Julio Lossio (Rede)
Maurício Rands (PROS)
Paulo Câmara (PSB)
Simone Fontana (PSTU)
PIAUÍ
Dr. Pessoa (Solidariedade)
Elmano Férrer (Podemos)
Fábio Sérvio (PSL)
Luciane Santos (PSTU)
Luciano Nunes (PSDB)
Maria de Lourdes (PCO)
Romualdo Sena (DC)
Sueli Rodrigues (PSOL)
Valter Alencar (PSC)
Wellington Dias (PT)
RIO GRANDE DO NORTE
Brenno Queiroga (Solidariedade)
Carlos Alberto (PSOL)
Carlos Eduardo (PDT)
Dário Barbosa (PSTU)
Fátima Bezerra (PT)
Freitas Júnior (Rede)
Heron Bezerra (PRTB)
Robinson Faria (PSD)
SERGIPE
Belivaldo Chagas (PSD)
Dr. Emerson (Rede)
Eduardo Amorim (PSDB)
Gilvani Santos (PSTU)
João Tarantella (PSL)
Márcio Souza (PSOL)
Mendonça Prado (DEM)
Milton Andrade (PMN)
Valadares Filho (PSB)

REGIÃO CENTRO-OESTE

DISTRITO FEDERAL
Alberto Fraga (DEM)
Alexandre Guerra (Novo)
Antônio Guillen (PSTU)
Eliana Pedrosa (Pros)
Fátima Sousa (PSOL)
Ibaneis Rocha (MDB)
Júlio Miragaya (PT)
Paulo Chagas (PRP)
Renan Rosa (PCO)
Rodrigo Rollemberg (PSB)
Rogério Rosso (PSD)
GOIÁS
Ana Lúcia (PCO)
Daniel Vilela (MDB)
José Eliton (PSDB)
Kátia Maria (PT)
Marcelo Lira (PCB)
Ronaldo Caiado (DEM)
Professor Weslei Garcia (PSOL)
MATO GROSSO
Arthur Nogueira (Rede Sustentabilidade)
Mauro Mendes (DEM)
Moisés Franz (PSOL)
Pedro Taques (PSDB)
Wellington Fagundes (PR)
MATO GROSSO DO SUL
Humberto Amaducci (PT)
João Alfredo (PSOL)
Marcelo Bluma (PV)
Odilon de Oliveira (PDT)
Reinaldo Azamubuja (PSDB)
Junior Mochi (MDB)

REGIÃO SUDESTE

ESPÍRITO SANTO
André Moreira (PSOL)
Aridelmo Teixeira (PTB)
Carlos Manato (PSL)
Jackeline Oliveira Rocha (PT)
Renato Casagrande (PSB)
Rose de Freitas (Podemos)
MINAS GERAIS
Alexandre Flach (PCO)
Antonio Anastasia (PSDB)
Claudiney Dulim (Avante)
Dirlene Marques (PSOL)
Fernando Pimentel (PT)
João Batista Mares Guia (Rede)
Jordano Metalúrgico (PSTU)
Romeu Zema (Novo)
RIO DE JANEIRO
André Monteiro (PRTB)
Anthony Garotinho (PRP)
Dayse Oliveira (PSTU)
Eduardo Paes (DEM)
Índio da Costa (PSD)
Marcelo Trindade (Novo)
Márcia Tiburi (PT)
Pedro Fernandes (PDT)
Romário (Podemos)
Tarcísio Motta (PSOL)
Wilson Witzel (PSC)
SÃO PAULO
Adriano Costa e Silva (DC)
Cláudio Fernando Aguiar (PMN)
Edson Dorta (PCO)
João Doria (PSDB)
Lisete Arelaro (PSOL)
Luiz Marinho (PT)
Marcelo Cândido (PDT)
Márcio França (PSB)
Paulo Skaf (MDB)
Rodrigo Tavares (PRTB)
Rogerio Chequer (Novo)
Toninho Ferreira (PSTU)

REGIÃO SUL

PARANÁ
Cida Borghetti (Progressista)
Doutor Rosinha (PT)
Geonísio Marinho (PRTB)
João Arruda (MDB)
Jorge Bernardi (Rede)
Ogier Buchi (PSL)
Priscila Ebara (PCO)
Professor Ivan Bernardo (PSTU)
Professor Piva (PSOL)
Ratinho Junior (PSD)
RIO GRANDE DO SUL
Eduardo Leite (PSDB)
Jairo Jorge (PDT)
Júlio Flores (PSTU)
José Ivo Sartori (MDB)
Mateus Bandeira (Novo)
Miguel Rossetto (PT)
Paulo de Oliveira Medeiros (PCO)
Roberto Robaina (PSOL)
SANTA CATARINA
Ângelo Castro (PCO)
Carlos Moisés da Silva (PSL)
Décio Lima (PT)
Gelson Merisio (PSD)
Ingrid Assis (PSTU)
Jesse Pereira (PATRI)
Leonel Camasão (PSOL)
Mauro Mariani (MDB)
Rogério Portanova (Rede)

CENÁRIOS DOS PARTIDOS
O bloco de partidos criado pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), para agir em conjunto nas votações da Casa e que parecia fadado ao ostracismo após o ocaso do emedebista, revitalizou as próprias forças e uniu-se ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, não sem antes flertar com o PT de Lula.

O grupo faz isso na campanha e fará, exatamente a mesma coisa, durante o futuro governo. Não há qualquer dúvida de que eles darão apoio parlamentar e indicarão nomes para qualquer governo a ser eleito em outubro.

Simplesmente porque o grupo passou a ser o fiador da chamada governabilidade, espaço que era, em gestões anteriores, ocupado pelo MDB. O PP, do senador Ciro Nogueira (PI) tem planos, jnclusive, de tornar-se a maior bancada da Câmara na próxima legislatura, o que aumentará o fundo partidário e o tempo de televisão do partido para as eleições de 2022.

Outra legenda forte no grupo é o PR. O partido quase conseguiu indicar o vice em alguma das chapas presidenciais – até mesmo ao lado de Jair Bolsonaro (PSL), com o senador Magno Malta (ES). Mas acabou tendo atuação mais discreta mas, ainda assim, importante no grau de influência do bloco partidário no Congresso.

DEM
O Democratas, legenda que tem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ) e o prefeito de Salvador, ACM Neto, poderá iniciar o novo ciclo legislativo em um patamar com um tamanho e influência maior que 2014. Mas o DEM de 2019 sonhava em estar bem melhor do que na verdade estará. Até então um partido médio, a legenda viu cair aos seus pés a presidência da Casa após a saída de Eduardo Cunha (MDB-RJ), hoje detido em Curitiba.

A legenda cresceu na janela partidária de março mas viu dois de seus principais expoentes sendo obrigados a refluir dos planos originais:
Maia abandonou a candidatura própria ao Planalto e ACM Neto desistiu de concorrer ao governo da Bahia.

MDB
É sabido que, mesmo com a minirreforma política de 2017, o sistema político continuará com um alto grau de impermeabilidade à entrada de novos atores. O que implica em dizer que a composição do novo congresso a partir de 2019 tende a, relativamente, ser composto pelos mesmos tradicionais partidos de outrora. Com o pluripartidarismo levado à enésima potência, é certo que o novo governo deverá depender, novamente, de uma intricada teia de apoios – quase sempre baseado em troca-troca de cargos – para emplacar sua agenda, reformista ou não.

E o MDB, tradicional fiador de projetos antagônicos de poder desde 1994, a julgar pela lógica da sobrevivência, para qual lado deverá seguir?

Para que respondamos a esta pergunta, é necessário enxergar as atuais sinalizações que o partido oferece aos favoritos na disputa pela presidência, especialmente aos seus aliados de última hora ao longo do governo Temer. Em tese, seria simples e quase óbvia uma composição com o PSDB de Geraldo Alckmin.

Mas muitos emedebistas ficaram incomodados com a postura elitista do tucanato. Além disso, a análise era de que a única alternativa para minimizar o desgaste do partido seria ter uma candidatura própria, desgarrada do presidente Temer. Unam-se esses elementos ao fato de que Meirelles estar disposto a autofinanciar-se ao Planalto, deixando os recursos partidários exclusivamente para serem usados pelos demais candidatos, está formado o casamento perfeito.

PSOL
A estratégia do PSOL sempre foi a de se consolidar como uma alternativa à esquerda arrebanhando, principalmente, o voto do eleitorado descontente com o PT. Aliás, a própria formação dos psolistas deriva de um racha com os petistas após a proposta de reforma da Previdência, durante o primeiro mandato
de Lula.

Hoje em dia, no entanto, as divergências nunca ficaram tão pequenas em relação às similitudes ideológicas e ao posicionamento em temas políticos contemporâneos (vide pronunciamentos de ambas as legendas sobre impeachment da ex-presidente Dilma e a prisão do ex-presidente Lula).

Nas urnas, a dinâmica é emplacar candidatos a cargos majoritários, em praticamente todas as unidades da federação e à presidência da república – sem se preocupar com o baixo nível de competitividade –, aproveitando-se, é claro, da visibilidade que a cobertura diária da mídia e a presença em debates podem proporcionar.

A movimentação faz sentido por duas razões:
I) cristaliza sua imagem no cenário político como uma alternativa à esquerda, para alçar voos ainda maiores a médio prazo; e II) projeta candidatos ainda mais competitivos para as eleições municipais de 2020. É por isso que a escolha pelo líder do MTST Guilherme Boulos, cuja base eleitoral está em São Paulo, pode até render frutos para o partido na região daqui a dois anos.

A legenda também está atenta à regra eleitoral da cláusula de barreira, que impõe metas às legendas para que tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo de televisão em disputas futuras. Pensando em 2018, o partido almeja dobrar sua bancada federal sem maiores sustos, como vem acontecendo de forma gradual desde 2010.

FUTURO DE CADA UM
Pensando nisso, apontamos abaixo a projeção de bancada de deputados federais dos principais partidos. A tabela abaixo pode indicar um caminho da governabilidade a ser percorrido pelo vencedor das eleições.

BANCADAS ATUAIS E PROJEÇÕES

LEGENDA BANCADA ATUAL PROJEÇÃO
PT 61 deputados Manter bancada
MDB 51 deputados Manter bancada
PSDB 49 deputados Eleger de 55 a 60
DEM 43 deputados Eleger de 40 a 45
PP 49 deputados Eleger de 55 a 60
PR 40 deputados Manter a bancada
PTB 16 deputados Entre 25 a 27
PDT 19 deputados Entre 30 a 40
PSB 26 deputados Entre 30 a 35
PSD 38 deputados Entre 45 a 50
PROS 11 deputados Entre 25 a 30
PSL 08 deputados Dobrar bancada
Podemos 16 deputados Eleger 20
PSOL 06 deputados Dobrar a bancada

* projeções feitas pelas lideranças dos partidos

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